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Haddad diz que resistiu a virar a chave para ser candidato e que Tarcísio mente

Haddad diz que resistiu a virar a chave para ser candidato e que Tarcísio mente

Ex-ministro criticou a gestão do governador e afirmou que a situação fiscal estaria difícil não fosse o apoio do governo federal. Pré-candidato ao Governo de São Paulo, petista disse ainda que Lula o convenceu a concorrer

SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – Pré-candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (7) que o estado de São Paulo estaria numa situação fiscal difícil não fosse o apoio do governo federal com a renegociação de dívidas. Disse, ainda, que o cenário estadual é preocupante.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição, é crítico à condução da política econômica do governo Lula (PT) e afirmou nesta semana que Haddad “quebrou o Brasil”.

“Ele [Tarcísio] não precisa agradecer, mas não precisa mentir. Fica quieto. Eu no lugar dele ficava quieto. Agora, mentir? Ganhou o que com isso?”, disse Haddad durante palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso, no centro de São Paulo.

Haddad criticou a imprensa mais de uma vez, dizendo que não vê os jornais fazendo seu trabalho “em relação à administração Tarcísio”. “Não vejo a imprensa dizer a verdade sobre o que está acontecendo, com a contundência que tratam os assuntos que nos dizem respeito. Não tem uma matéria sobre as finanças do estado de São Paulo”, afirmou.

O ex-ministro também ironizou os editoriais do jornal Folha de S.Paulo. “Eu estava falando com uma pessoa que, só da Folha, teve 150 editoriais contados. Eu sempre acho graça. Porque, primeiro, ninguém lê. Segundo, é uma prova a meu favor.”

Ele disse também que resistiu muito “a virar a chave” e decidir se candidatar em São Paulo, porque estava com a cabeça no plano nacional, “convencido que tinha que tentar elaborar um plano de desenvolvimento”. Segundo Haddad, o presidente Lula (PT) conversou com ele por muitas horas, argumentando que precisava de um candidato forte no estado.

“Eu não tinha expectativa de encontrar o quadro que encontrei. Encontrei muitos problemas que pensei que já tivessem sido endereçados”, afirmou, listando questões na segurança, na educação e na saúde.

“Há uma grande insatisfação na Polícia Militar, Civil, nos magistérios, com prefeitos. Questões estruturais, mudanças estruturais tomadas que vão dar trabalho reverter.”

No plano nacional, Haddad disse que há condições de dar um salto importante, considerando a produção de biocombustíveis, as terras raras (grupo de elementos químicos usados em produtos de alta tecnologia e na energia limpa) e as energias solar e eólica “abundante e muito baratas”.

“A política que vai dizer se vamos aproveitar essa janela [de oportunidade] ou se vamos praticar o esporte nacional predileto, que é perder as oportunidades que se abrem”, afirmou.

Ele disse ainda que está otimista sobre o futuro do país (segundo ele, as questões podem ser resolvidas em “dois, três anos, se não tiver gol contra”), mas afirmou temer percalços políticos. “O Brasil está vivendo um momento de repensar suas instituições. Temos um problema a ser endereçado na relação institucional.”

Em relação à economia, o ex-ministro disse que sempre defendeu o superávit primário e que é preciso haver equilíbrio fiscal. Criticou o que chamou de “esquerda estereotipada”, em referência a grupos ideológicos que negam a necessidade de qualquer limite de gastos. Afirmou, também, que o ajuste das contas pode ser feito de muitas formas (pelo aumento da receita, pelo corte nas despesas, ou por combinações).

“Todo mundo vai ter que colaborar na medida de suas forças. O sacrifício maior não pode ser de quem ganha um salário mínimo.”

Em entrevista a jornalistas após o evento, Haddad disse que as pessoas não têm ideia a respeito de quem é o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Afirmou, também, que espera que a campanha mostre “como ele angariou esse patrimônio considerável que detém” e “quem são os amigos dele”.

Em seguida, o ex-ministro emendou sua fala defendendo transparência nas investigações sobre o banco Master. “As investigações estão sendo aprofundadas sobre os escândalos que o governo desbaratou, então tem havido uma compreensão maior de quem de fato é responsável por esses desmandos, quando surgiram esses desmandos, quem foram os responsáveis.”

Como mostrou a Folha de S.Paulo, integrantes do governo Lula estão buscando associar o senador ao caso Master após a Polícia Federal ter realizado operação contra o senador Ciro Nogueira (PP), aliado de Flávio, na manhã desta quinta.

Fonte: Gazeta Mercantil

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